O longa estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22), mas a Alpha FM pôde assistir com antecedência durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Mark Zuckerberg — ou a versão fictícia dele — retornou às telas após o sucesso de “A Rede Social”, lançado em 2010 e dirigido por David Fincher. Antes da estreia oficial nos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (22), a sequência “O Outro Lado das Redes” ganhou exibições na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo, que fica em cartaz até o dia 29 de outubro e a Alpha FM assistiu em primeira mão.
Enquanto o primeiro longa conta a história de origem do criador do Facebook, bem como os entraves judiciais que surgiram após a estreia do site, a sequência traz à tona um dos maiores escândalos da empresa fundada por ele. Sem Fincher na direção, quem assume esse papel é Aaron Sorkin, roteirista de “A Rede Social” e também na nova produção. Ele é o diretor de “Apresentando Os Ricardos” (2021) e “Os 7 de Chicago” (2020).
Desta vez, Zuckerberg não é interpretado por Jesse Eisenberg, mas sim por Jeremy Strong. Assim como o primeiro longa, a continuação conta uma história real, focando nos bastidores da investigação The Facebook Files, na qual o The Wall Street Journal publicou, em 2021, dezenas de documentos vazados que relacionavam a Big Tech a uma série de problemáticas, entre elas o impacto da rede social na saúde mental de crianças e adolescentes. O criador da plataforma sai do papel de protagonista nesta narrativa para dar vez ao jornalista que encabeçou a investigação, Jeff Horowitz — interpretado por Jeremy Allen-White —, e a cientista de dados Frances Haugh — vivida pela vencedora do Oscar de Melhor Atriz, Mikey Madison. Haugh trabalhava na atual Meta e foi a principal fonte da série de reportagens.
Após mostrar a ascensão de Zuckerberg, o espectador então vê as consequências do trabalho promovido pela empresa que passou a priorizar em especial o engajamento e as métricas, mesmo que estes incentivassem a própria segurança dos usuários. Porém, embora tenha sido vendido como uma sequência, “O Outro Lado Das Redes” pode ser assistido como um filme único que, sem depender do antecessor, mostra uma história que se sustenta sozinha e é essencial em um mundo que as redes sociais constroem a realidade em que se vive.
Em forma e estilo, a narrativa aproxima-se mais de “Os 7 de Chicago” do que, necessariamente, “A Rede Social”, o que pode ser explicado por Sorkin na cadeira de diretor. O filme assume um tom mais didático, talvez pela sensibilidade do assunto que, neste cenário, é a amostra do impacto real das redes não apenas na vida particular da sociedade, mas a nível nacional e global. Isso porque a produção evidencia o entrelaçamento entre os sites da Meta e a radicalização e polarização de grupos, que desencadeiam na ameaça à democracia. Strong some no personagem do empresário e dá lugar à persona pouco carismática que já havia sido mostrada por Jesse Eisenberg, agora ainda mais no papel de antagonista.
Em alguns momentos, a história de Jeff e Frances soa quase clichê, com um arco de Jornada do Herói, especialmente para a engenheira de dados que enfrenta os próprios dilemas morais para embarcar na investigação. Porém, “O Outro Lado das Redes” não deixa de ser um filme importante para entender a dinâmica das plataformas digitais e o impacto de sites como o Facebook na sociedade contemporânea.
Assista ao trailer de “O Outro Lado das Redes”
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Por Ludmila Borba
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