O hábito é uma nova realidade do ambiente digital

Não é incomum pegar o celular para fazer uma pesquisa ou checar uma notícia e perceber que minutos, ou quase horas, se passaram. Um clique leva a outro e, quando você menos percebe, a rolagem infinita dos feeds de redes sociais consumiram o seu tempo.
O ato de navegar pelas redes sem propósito e, especificamente, consumindo notícias negativas, tem um nome: doomscrolling. O tempo foi cunhado em 2018 e entrou oficialmente para os dicionários em 2023. Segundo o Dicionário de Cambridge, essa é a sua definição: “a atividade de passar muito tempo olhando para o celular ou computador e lendo notícias ruins ou negativas”.
Especialmente após a pandemia da Covid-19, que levou ao isolamento, as redes sociais passaram a tomar um espaço ainda maior do cotidiano. Durante o período em que sair de casa não era recomendado, o celular tornou-se quase um braço direito: ele dava a possibilidade de se atualizar e entrar em contato o mundo.
Porém, toda ação tem uma consequência e a dependência dos aparelhos impacta no dia a dia. Segundo o levantamento da plataforma Eletronic Hub, o Brasil é o pais com a segundo maior média de tempo diário do uso de telas. Em 2023, o inquérito telefônico Covitel revelou que mais da metade dos brasileiros passam três ou mais horas por dia na frente de celulares, computadores ou televisão, sem contar com o período do trabalho.
Mas por que o doomscrolling é tão viciante?
A prática nasce de uma necessidade muito natural: se sentir informado. De acordo com o Prof. Dr. Craig N. Sawchuk, psicólogo da Clínica Mayo nos Estados Unidos, “o hábito de navegar sem parar em notícias negativas começa com o objetivo de se tornar mais consciente de uma situação para que você possa entender o que está acontecendo e se preparar para isso”.
Porém, rapidamente isso pode se tornar um movimento obsessivo e improdutivo, levando em consideração a quantidade de informações existentes na Internet. “Você perde tempo navegando de uma notícia absurda para outra, enquanto se sente pior em relação ao mundo, às pessoas nele e à sua capacidade de lidar com as situações”, descreve a Clínica Mayo.
Essa atividade pode ter um impacto emocional, como aumentar a ansiedade e irritabilidade, além de afetar aspectos como a privação do sono.
O primeiro passo para mudar essa realidade é repensar o seu consumo e a relação com as telas: o tempo online está trazendo impactos reais para a sua vida? Você está trocando o seu tempo útil pelo doomscrolling? Não existe solução milagrosa, mas uma coisa é necessária: manter-se longe das redes sociais por curtos períodos de tempo, até que o seu cérebro possa se desacostumar deste hábito.
A Clínica Mayo sugere algumas opções, confira abaixo:
- Coloque um limite de tempo;
- Substitua o tempo nas telas por uma atividade saudável;
- Use lembretes para entender quando o uso das telas passou a ser exarcebado.
Por Ludmila Borba
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