Presidente volta à tribuna em um momento de tensão com o governo dos Estados Unidos, sob o receio de interferência externa no processo eleitoral brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em sua décima participação na abertura do debate geral da organização. A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, o petista volta à tribuna em um momento de tensão com o governo dos Estados Unidos, sob o receio de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos, representados pelo presidente Donald Trump.
O presidente deixou a residência do embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, rumo à reunião por volta de 9h10 e entrou no prédio da organização pouco depois das 9h40. Antes de subir à tribuna, Lula tinha marcado um breve encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Nos dias anteriores à Assembleia Geral, já circulava em Brasília a expectativa de que Lula usasse o discurso para fazer uma defesa da soberania brasileira e mandar recados contra tentativas de interferência externa nas instituições democráticas e nas eleições do país — apesar desse tom, sem ataques ou referências nominais.
No ano passado, Lula criticou o enfraquecimento do multilateralismo e defendeu a democracia brasileira, pregando a soberania do país. Na ocasião, o presidente defendeu a regulação de plataformas digitais e cobrou maiores esforços das nações para combater o aquecimento global.
Veja os temas já tratados por Lula
Primeiros discursos: combate à fome e reforma da ONU:
Desde sua primeira participação na ONU, Lula buscou projetar o Brasil como ator global. No discurso inaugural, lançou a iniciativa “Ação contra a Fome e a Pobreza”, destinada a articular financiamento internacional inovador para enfrentar a insegurança alimentar. Defendeu ainda a reforma da ONU e do Conselho de Segurança, a ampliação da voz dos países em desenvolvimento e o fortalecimento do multilateralismo em contraponto às guerras unilaterais, como a do Iraque.
Segundo mandato: potência emergente e nova governança financeira
No segundo mandato (2007-2010), em meio ao crescimento econômico e à diplomacia ativa, Lula destacou a necessidade de uma nova governança financeira internacional, sobretudo após a crise de 2008. Defendeu maior representação do Sul Global em fóruns como o G20, o FMI e o Banco Mundial. Reforçou também a defesa de uma ordem multipolar, do desarmamento nuclear e da solução pacífica de conflitos.
Por O Globo — Rio de Janeiro
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