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Por que “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” é tão pessoal para Nicole Kidman e Sandra Bullock?

Para Bullock, as lembranças do primeiro filme não eram exatamente mágicas.

Imagine trabalhar em um filme acreditando que o público vai amar o resultado e, na hora do lançamento, ouvir que ele tinha “mulheres demais”, “bruxaria demais” e até gêneros demais misturados. Foi mais ou menos assim que Sandra Bullock viveu a chegada de “Da Magia à Sedução”, em 1998.

Estrelado por Bullock e Nicole Kidman como as irmãs Sally e Gillian Owens, o longa teve uma recepção dividida da crítica e desempenho comercial modesto. O que ninguém poderia imaginar é que aquela seria apenas a primeira parte da história do filme com o público. Ao longo das décadas seguintes, a produção foi redescoberta, transformou-se em um título cult e chegou a uma nova geração, inclusive por meio das redes sociais.

E é justamente por isso que retornar a esse universo em “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” tem um peso muito mais pessoal para suas protagonistas. Para Bullock, as lembranças do primeiro filme não eram exatamente mágicas.

A atriz revelou que ficou marcada pela campanha de divulgação de 1998 e pela forma como o longa foi recebido na época. Segundo ela, parte das críticas questionava justamente a quantidade de personagens femininas, o universo das bruxas e a mistura de tons da produção.

“Eu fiquei muito traumatizada com a reação da imprensa do primeiro filme, porque foi brutal. Nós não fomos bem recebidas porque éramos ‘demais’, ‘bruxas demais’, ‘mulheres demais’, ‘tons demais’. E eu fico pensando: ‘Você já viveu um único dia na vida de uma mulher?’”, relembra Bullock.

O impacto permaneceu por muito tempo. Bullock contou que chegou a carregar uma sensação de vergonha em relação ao projeto e só percebeu, anos mais tarde, que a relação do público com a obra havia mudado.

Talvez o problema, afinal, não estivesse no filme. “Talvez ele precisasse marinar um pouco”, brincou a atriz ao refletir sobre o fenômeno quase três décadas depois. Na visão de Bullock, “Da Magia à Sedução” pode simplesmente ter chegado cedo demais. Elementos que foram questionados em 1998 — como uma narrativa fortemente centrada em mulheres, relações entre irmãs e uma representação feminina da bruxaria — passaram a ser enxergados de outra maneira pelo público contemporâneo.

“Eu ainda carregava muita vergonha”, disse ela. “Eu pensava: ‘Meu Deus, as coisas que disseram… Desculpa, nós achávamos que estávamos fazendo algo legal.’ E, no fim, estávamos mesmo. Só aconteceu 28 anos e alguns meses cedo demais.”

Nicole Kidman também demorou para entender o tamanho que “Da Magia à Sedução” havia conquistado. Segundo a atriz, com o passar dos anos, pessoas começaram a abordá-la dizendo que, entre todos os seus trabalhos, aquele era justamente o filme favorito delas. A reação inicialmente foi de surpresa.

Com o tempo, o longa tinha encontrado o público que talvez não tivesse conseguido alcançar em sua estreia.

Essa redescoberta transformou o filme em uma experiência pessoal também para Kidman: em vez de permanecer ligado apenas às lembranças de sua recepção original, passou a representar o carinho construído por espectadores ao longo de diferentes gerações.

Assista ao trailer da sequência de “Da Magia à Sedução”

Por Rafael Abibi

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