Há meses que simplesmente passam pelo calendário. Setembro, pelo menos na música, parece gostar de deixar lembranças.
Na cultura norte-americana, existe uma explicação bastante natural para isso. Setembro chega justamente quando o verão começa a se despedir no Hemisfério Norte, encerrando uma temporada tradicionalmente associada a férias, viagens, encontros, festas, aventuras e, claro, romances de verão.
É a volta às aulas, o retorno à rotina e a aproximação do outono. Aquilo que algumas semanas antes estava sendo vivido começa a virar lembrança. E poucas coisas combinam tanto com uma boa canção quanto lembrar de algo que foi especial.
Earth, Wind & Fire colocou setembro para dançar

Crédito da imagem: Reprodução/Amazon
“September”, do Earth, Wind & Fire, foi lançada em 1978 e fez exatamente o contrário do que seria esperado de uma melancólica despedida do verão.
Ela transformou a lembrança em celebração.
Logo no início surge a pergunta que marcou a canção: você se lembra da noite de 21 de setembro?
A partir daí, não há espaço para tristeza. Há dança, amor, noites compartilhadas e a recordação de um momento aparentemente perfeito.
A famosa data, curiosamente, não esconde uma história secreta. Allee Willis, que compôs a música com Maurice White e Al McKay, contou posteriormente que diferentes datas foram experimentadas durante a criação e que “21st” simplesmente funcionava melhor musicalmente.
Até o inesquecível “ba-dee-ya” não possui um significado oculto. Willis inicialmente tentou encontrar palavras para substituir aquela sequência de sons, até compreender uma das filosofias musicais de Maurice White: quando o groove funciona, nem tudo precisa de explicação.
Funcionou.
“September” chegou ao primeiro lugar da parada americana de R&B e ao Top 10 da Billboard Hot 100. Décadas depois, permanece como uma das músicas mais reconhecidas do Earth, Wind & Fire e foi incluída no National Recording Registry da Library of Congress, que preserva gravações consideradas cultural, histórica ou esteticamente importantes nos Estados Unidos.
Setembro em seis músicas
Além do clássico do Earth, Wind & Fire, o mês deixou sua marca em diferentes épocas e estilos:
“September” — Earth, Wind & Fire (1978)
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Uma noite de setembro transformada em celebração permanente.
“September” — Taylor Swift (2018)
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Uma releitura acústica de “September”, clássico do Earth, Wind & Fire lançado originalmente em 1978.
“September Morn” — Neil Diamond (1979)
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Romance, reencontro e lembranças embalados por uma das baladas conhecidas do cantor.
“Wake Me Up When September Ends” — Green Day (2004)
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Billie Joe Armstrong transforma uma dolorosa memória familiar em uma das músicas mais emocionais da banda.
“September Gurls” — Big Star (1974)
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Um clássico do power pop em que setembro aparece cercado por desejo, relacionamentos e recordações.
“September” — Sting & Zucchero (2020)
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Uma parceria sobre distância, esperança e a expectativa de dias melhores.
E, afinal, o que aconteceu naquela noite de setembro?
Talvez seja justamente aí que esteja parte da magia de “September”.
Sabemos que o dia 21 não nasceu de um acontecimento específico revelado pelos compositores do EW&F. Mas a música oferece elementos suficientes para que cada ouvinte complete a história à sua maneira.
Pode ser a lembrança de um romance. Uma noite inesquecível. O último grande momento de um verão. Uma viagem. Uma festa. Alguém que ficou no passado. Ou simplesmente aquela sensação difícil de explicar de perceber que um momento foi especial somente depois que ele terminou.
Esta é, portanto, uma leitura interpretativa da relação entre setembro, o fim do verão e a atmosfera criada pela famosa canção do grupo americano. A composição não determina que essa seja sua história ou seu significado definitivo. Como acontece com as melhores músicas, cada pessoa pode ouvir “September” e encontrar nela uma lembrança completamente diferente.
Talvez seja por isso que, quase cinco décadas depois, quando chega setembro, o mundo ainda se lembra daquela noite do dia 21 como se ela também fizesse parte da história de cada um.