NOVA GERAÇÃO DE ESPAÇOS COMEÇA A SER PENSADA TAMBÉM PARA A MÚSICA E PARA EXPERIÊNCIAS CADA VEZ MAIS IMERSIVAS

Os grandes shows mudaram de escala. Palcos gigantes, enormes painéis de vídeo, iluminação que ocupa diferentes áreas do estádio e produções capazes de criar um universo próprio para cada artista se tornaram características das principais turnês internacionais.
O palco genérico ficou para trás. Hoje, as grandes produções são desenvolvidas de acordo com a proposta artística de cada turnê, criando novos desafios para os estádios que recebem esses espetáculos.
Durante décadas, foram os shows que precisaram se adaptar a espaços projetados principalmente para o esporte. Agora, esse movimento mudou de direção: a música passou a influenciar também a concepção de uma nova geração de estádios e arenas.
A tendência é abordada em uma nova reportagem da revista britânica IQ Magazine, que ouviu profissionais da Experience Studios, divisão de entretenimento ao vivo do escritório de arquitetura Populous.
O estádio também passa a fazer parte do show

Créditos da imagem: rocketreach
Uma das mudanças está na própria maneira como os artistas pensam suas turnês. Para Mark Murphy, diretor e fundador da Experience Studios, os grandes espetáculos passaram a construir verdadeiros universos em torno da música.
Nesse cenário, o estádio deixa de funcionar apenas como o lugar onde milhares de pessoas assistem a uma apresentação. Ele precisa permitir que palco, imagens, iluminação, som e o próprio ambiente trabalhem juntos para criar a identidade daquele show.
Os smartphones e as redes sociais também ajudaram a acelerar essa transformação. Hoje, praticamente todos os ângulos de uma grande turnê são registrados e compartilhados, fazendo com que a aparência do palco e do espaço ao redor dele tenha uma importância ainda maior.
Espaços preparados para diferentes espetáculos




Crédito das das imagens: skyscrapercity
O caminho apontado pela indústria é desenvolver lugares mais flexíveis, capazes de receber partidas, shows e outros grandes eventos sem que cada produção precise começar praticamente do zero.
Isso inclui deixar parte da estrutura necessária para grandes espetáculos incorporada ao próprio espaço, facilitando a chegada de produções que utilizam grandes telas, iluminação, efeitos visuais e diferentes configurações de palco.
Um exemplo de como essa fronteira está avançando é o Prince Mohammed bin Salman Stadium (em destaque nas fotos acima), planejado na Arábia Saudita. O projeto prevê teto e campo retráteis e uma grande parede de LED, permitindo transformar o ambiente de acordo com diferentes tipos de evento.
A Experience Studios também participa de projetos ligados a novos estádios no Marrocos, na Itália e na Arábia Saudita.
O futuro pode ser mais tecnológico sem parecer tecnológico
Existe um paradoxo interessante nessa nova geração de espaços: quanto mais tecnologia estiver disponível, menos o público deverá perceber sua presença.
Murphy resume essa ideia ao afirmar que a “mágica” acontece quando a tecnologia se torna invisível. Ele cita a Sphere, em Las Vegas, como um projeto que ajudou a elevar as expectativas sobre o que um espaço de entretenimento pode proporcionar.
O objetivo, portanto, é permitir que cada artista transforme o mesmo lugar em algo completamente diferente.
Com a consolidação dessa tendência, os estádios das próximas décadas poderão se tornar espaços cada vez mais versáteis: em uma noite recebem uma grande competição esportiva e, na seguinte, se transformam completamente para receber o universo criado por uma turnê mundial.
